Entramos no Labirinto, com Rodrigo Savazoni

Posted in - Cidadania @pt-pt en Jun 21, 2016 2 Comments rodrigosava

Como nasceu Lab.irinto?
RS: LAB.IRINTO é uma metodologia que criamos para construir soluções em conjunto com as pessoas. Ele nasceu da necessidade que encontramos de construir um laboratório de forma colaborativa, articulando primeiramente uma rede de iniciativas, para depois pensarmos outras questões como programação e financiamento. Por que isso? Porque acreditamos que um laboratório de inovação cidadã é uma infraestrutura a serviço de uma rede. Se essa rede não existe, a infraestrutura fica vazia e sem uso. Mas se a rede existe, um laboratório pode ser um grande impulsionador. O LAB.IRINTO tem sido a metodologia que estamos utilizando para construir o LABxS (Lab Santista), que será um laboratório de cultura livre e inovação cidadã que vamos construir na região portuária de Santos, uma cidade que fica a 60 km de São Paulo, na região costeira. Em Santos está localizado o principal porto da América Latina e em sua ilha tivemos o primeiro núcleo urbano organizado do Brasil, São Vicente. Simplificando, trata-se de um processo de debates, trocas de experiências e articulação internacional entre criadores da Baixada Santista, de outras regiões do Brasil e do mundo, com três objetivos principais: (1) subsidiar a concepção do LABxS (Lab Santista), um laboratório de cultura livre e inovação cidadã; (2) fortalecer a rede nacional de cultura livre e inovação cidadã e (3) avançar em nossa articulação internacional.
Quais são as relações do Lab.irinto com as residências da Segib? Que tem a ver?
RS: Eu diria que não existiria o LAB.IRINTO sem a residência realizada no Medialab-Prado pela SEGIB, no ano passado. Foi ali que pudemos participar do LabMeeting, organizado pelas iniciativas espanholas. Saí de Madri pensando que precisávamos de um encontro como aquele para articular a cena brasileira, para fortalecer a articulação que produzimos na Ibero-América, e para trazer essa potência toda para fortalecer o nosso processo local. Ou seja, o LAB.IRINTO é um dos inúmeros filhotes do generoso programa de Inovação Cidadã que a SEGIB vem desenvolvendo. Mas acredito que, neste momento, ele também possa ser um processo de fortalecimento desse próprio programa. Graças, por exemplo, ao trabalho que vem sendo desenvolvido por duas outras pessoas que estão diretamente envolvidas no LAB.IRINTO, Georgia Nicolau, co-curadora, e Gabi Agustini, que é palestrante e irá conduzir a metodologia sobre sustentabilidade, estamos aproximando os LatinLabers, como nos chamamos desde Madri, com atores da Global Innovation Gathering, uma rede que tem forte presença africana e asiática. Acreditamos que com isso tecemos uma rede mais potente desde o sul do planeta, para pensar e produzir tecnologias de outra maneira.

Qual é o valor do Lab.irinto para o Brasil nesses momentos?
RS: Eu acredito que já estamos no momento de reconstrução, caminhando em meio aos escombros de um golpe jurídico-midiático. Nesse sentido, o LAB.IRINTO é parte desse esforço de reconstrução. Precisamos aprofundar e redesenhar um programa para o Brasil nos próximos anos. Esse programa tem de ser internacionalista e municipalista ao mesmo tempo. Precisamos construir uma agenda de defesa e de desenvolvimento do procomum. Só assim conseguiremos superar a visão desenvolvimentista e destrutiva que orienta o capitalismo. E não temos mais como esperar. Santos, em nosso país, é uma das cidades que mais pode vir a sofrer com o aquecimento global. A região onde moro pode ficar em baixo d’água em cerca de 40 anos. Somente com muita criatividade, inventividade, e compromisso com o presente e o futuro, podemos reverter esse quadro. Nesse sentido, acredito que os Laboratórios de Inovação Cidadã, tanto o que estamos construindo em nossas cidades como os nômades e de vocação internacional, como o LABICCo, podem ser polos aglutinadores da rede de pessoas que quer lutar para que tenhamos um futuro.

Como vai melhorar a vida das pessoas de Santos e do Brasil?
RS: Vou lhes contar uma história para responder a essa pergunta. O LAB.IRINTO não é só o evento que ocorre de 22 a 24 de junho. Ele envolveu uma série de atividades desde abril e uma delas foi a oficina de mapeamento em parceria com a SEGIB e o coletivo de arquietos do VIC – Viveros de Iniciativas Ciudadanas. Fizemos essa oficina sem saber o que esperar, mas a utilizamos como um indutor para a articulação de nossa rede local. Foi um sucesso. Reunimos experiências de cultura livre, permacultura, política cultural, direitos humanos, cidadania, educação inclusiva e tantas outras. O retorno que obtivemos foi muito bacana. As pessoas nos falavam: “nossa, estamos acostumados a dizer que não há nada em nossa região. Mas veja quantas iniciativas estão ocorrendo e nós não nos conhecíamos!”. Ou seja, acho que para Santos, esse processo está ajudando num necessário movimento de revermos a nossa identidade. A cidade e a região foram símbolos de uma vanguarda modernista e em função de uma série de fatores esse brilho foi perdido. Mas essa sua característica está adormecida, não morta. O que estamos fazendo é nos somarmos a uma série de pessoas que vêm lutando ao longo dos anos para não deixar que a chama da criatividade se apague. E talvez agora possamos fazer novas fogueiras. Para mim, o bem viver passa por estar em cidades que sejam sustentáveis, criativas, inteligentes, mas que façam isso valorizando sua população e suas características históricas. Nesse sentido, acho que o nosso laboratório pode contribuir com a melhora da vida das pessoas de nossa região, onde há muitos problemas para serem superados.

 

 

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(2) awesome folk have had something to say...

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